Quanto investir em marketing? Como definir a verba da sua empresa sem chutar

Marketing 7 min de leitura · 2 de novembro de 2026

Novembro é o mês em que o dono de empresa senta para fechar o orçamento do ano seguinte e chega na linha do marketing com a mesma dúvida de sempre: quanto colocar ali? Alguém diz que o certo é 5% do faturamento, o site da agência diz 10%, o colega do grupo de empresários jura que gasta 2% e vende muito.

O resultado mais comum é um destes dois: ou a verba é o que sobrou depois de todo o resto, ou é o número do ano passado com um ajuste no olho. Nenhum dos dois responde à pergunta que importa: quanto eu preciso investir para vender o que planejei vender?

Existe um percentual certo do faturamento para investir em marketing?

Não existe um número mágico. As faixas que circulam são referência de mercado, úteis como ponto de partida, mas a verba certa sai da sua meta e do seu custo para conquistar cliente.

Os guias de mercado costumam citar algo entre 5% e 12% do faturamento para empresas já estabelecidas, com faixas maiores para negócios novos ou em mercados muito disputados, e menores para empresas B2B que vendem principalmente por time comercial. Essas faixas aparecem nas fontes listadas no fim do rascunho.

O problema do percentual é que ele olha para trás. Se a empresa faturou pouco, investe pouco, vende pouco e fatura pouco de novo. Ele serve para conferir se você está muito fora da curva, não para decidir.

Ele também ignora o momento da empresa. Quem está lançando produto, entrando em cidade nova ou recuperando clientes perdidos precisa investir mais do que a média por um período. Quem tem carteira fiel e vende quase tudo por indicação pode investir menos sem prejuízo. Dois negócios com o mesmo faturamento podem ter verbas muito diferentes, e as duas estarem certas.

Use o percentual como teto de sanidade. Para chegar ao número, faça a conta de baixo para cima.

Como calcular a verba de marketing a partir da meta de vendas?

Parta de quantos clientes novos você precisa conquistar e de quanto custa, hoje, conquistar cada um. A verba é a multiplicação dos dois, mais o custo de manter quem já compra.

O caminho é este:

Exemplo ilustrativo, com uma empresa fictícia: uma escola de idiomas quer 120 alunos novos no ano. No ano anterior, gastou R$ 36 mil em marketing e trouxe 90 alunos, ou R$ 400 por aluno. Para 120 alunos, mantida a eficiência, precisa de algo perto de R$ 48 mil, mais uma reserva para testar canal novo.

Agora sim o percentual faz sentido: compare esse número com o faturamento previsto e veja se a conta fecha com a margem que você tem.

E se eu nunca medi quanto custa conquistar um cliente?

Comece a medir agora e, enquanto isso, use uma verba de teste com prazo e meta definidos. Investir sem medir é o que transforma marketing em despesa.

A maioria das pequenas empresas não sabe de onde vem cada cliente. Para começar a saber, não precisa de sistema caro:

Em três meses você já tem um número de verdade. Enquanto isso, defina uma verba de teste que a empresa aguente perder sem sofrer, com prazo para avaliar. Se o canal trouxe clientes a um custo que a margem paga, ele ganha mais verba. Se não trouxe, sai.

Onde colocar o dinheiro primeiro?

Primeiro no básico que sustenta qualquer venda; depois no canal que já provou que traz cliente; só então em experimento.

Uma divisão que funciona bem para a maioria das PMEs:

O erro que mais vejo é o contrário: muito dinheiro no canal da moda, pouca atenção à base. Anúncio levando gente para um site lento ou para um WhatsApp que demora um dia para responder é verba jogada fora.

Outro cuidado é não esquecer quem já é cliente. Boa parte da verba costuma ir para conquistar gente nova, enquanto a base atual, que já confia na empresa e compra com menos esforço, recebe só o que sobra. Uma parcela do investimento dedicada a fazer o cliente atual voltar e comprar mais — contato periódico, oferta de reposição, pós-venda bem feito — costuma ter retorno mais rápido do que qualquer anúncio. O artigo sobre como reter clientes mostra por onde começar.

Por fim, distribua a verba ao longo do ano de acordo com a sazonalidade do seu negócio. Investir igual todos os meses é simples de controlar, mas desperdiça dinheiro nos meses fracos e falta munição nos meses em que o cliente está decidindo a compra.

Marketing e vendas devem dividir o mesmo orçamento?

Devem ser planejados juntos, mesmo que fiquem em linhas separadas. Marketing que gera contato que o comercial não atende é desperdício dos dois lados.

Na pequena empresa, a fronteira entre marketing e vendas é fina. O anúncio traz o contato, o vendedor transforma em pedido. Se você aumenta a verba de marketing sem ter quem atenda os contatos novos, o custo por cliente sobe e a conclusão errada é "marketing não funciona".

Na hora de fechar o orçamento, olhe as duas linhas juntas:

Se o gargalo está no atendimento, mais verba de marketing não resolve. O dinheiro rende mais arrumando o funil de vendas.

Como saber se a verba está dando retorno?

Acompanhe todo mês três números: custo por cliente conquistado, faturamento vindo desses clientes e margem que sobra depois do investimento. Curtida e alcance não pagam boleto.

Os indicadores que importam para o marketing de uma pequena empresa cabem em uma folha:

Reserve uma hora por mês para olhar esses números com calma, de preferência com quem cuida do marketing e com quem cuida das vendas na mesma mesa. É nessa conversa que aparece o canal que parecia bom e só trazia curioso, ou o canal discreto que traz os melhores clientes.

Se o cliente conquistado deixa mais margem do que custou, o marketing está se pagando e pode receber mais. Se não deixa, ajuste antes de aumentar. A pergunta deixa de ser "quanto gastar" e passa a ser "quanto ainda dá para investir com retorno".

Não sabe quanto investir em marketing no ano que vem? Conheça a mentoria de marketing ou a consultoria de marketing.

Perguntas frequentes

Empresa pequena precisa mesmo investir em marketing?

Precisa, mesmo que a verba seja pequena. Investir em marketing não é só anúncio: é manter a empresa fácil de achar, confiável e lembrada. O que não pode é gastar sem saber o que volta.

É melhor contratar uma agência ou um profissional interno?

Depende do tamanho da verba e de quem vai coordenar. Agência faz sentido quando você tem alguém na empresa para definir objetivo e cobrar resultado. O artigo sobre [como contratar uma agência de marketing](/artigos/como-contratar-agencia-de-marketing/) mostra o que avaliar.

Devo cortar o marketing quando as vendas caem?

Cortar no escuro costuma agravar a queda. Corte o que não traz cliente e preserve os canais que provaram retorno. Por isso medir custo por canal é tão importante: na crise, você sabe exatamente o que manter.

Quanto tempo leva para o investimento em marketing dar retorno?

Anúncio pago pode trazer contato em dias. Conteúdo, reputação e indicação levam meses, mas ficam mais baratos com o tempo. Defina o prazo de avaliação de cada canal antes de começar.

Vale contratar um consultor de marketing para definir a verba?

Vale quando a empresa não tem histórico confiável ou quando o marketing virou uma soma de ações soltas. Um olhar de fora ajuda a montar a conta, escolher canais e criar a rotina de medição — e depois a empresa segue sozinha.

Charles G. Martins
Charles G. Martins30 anos em estratégia, marketing e vendas · 2× Personalidade de Marketing Nacional · Prêmio ADVB/SC · autor de Descomplique!
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