Nos últimos anos, a palavra "mentoria" passou a ser usada para quase tudo. Tem curso gravado chamado de mentoria, tem grupo de WhatsApp chamado de mentoria, tem evento de fim de semana chamado de mentoria. Para quem é dono de empresa e está pensando em buscar ajuda, a primeira dúvida deixou de ser "preciso de um mentor?" e passou a ser "de que tipo?".
A escolha mais comum é entre dois formatos: individual, em que o mentor trabalha só com você e o seu negócio, e em grupo, em que vários empresários participam juntos dos encontros. Os dois podem funcionar. Os dois podem ser dinheiro jogado fora. O que decide não é o formato em si, é o encaixe entre o formato e o problema que você tem agora.
Uma transparência antes de continuar: a mentoria que eu ofereço é individual. Mesmo assim, este artigo não é para convencer ninguém de que o individual é sempre melhor — porque não é. Em 30 anos de mercado, vi empresário crescer muito em grupo e vi empresário perder tempo em sessão individual que não precisava. Vou mostrar o critério que eu usaria se estivesse do outro lado da mesa.
Parece óbvio, mas muda tudo. Na individual, a pauta é a sua semana: o vendedor que não bate meta, o preço que precisa subir, o sócio que discorda do plano. O mentor conhece o seu contexto e acompanha o que você fez desde o último encontro.
No grupo, a pauta costuma ser definida antes: um tema por encontro, um método comum, exercícios que todos aplicam. Sobra um tempo para perguntas e casos, dividido entre os participantes. O mentor conhece os negócios de forma mais superficial, porque são muitos.
Nenhum dos dois é melhor em abstrato. É como perguntar se é melhor ir a um médico ou a uma palestra sobre saúde. Depende se você precisa de um diagnóstico ou de informação.
Existe ainda uma diferença pouco comentada: quem cobra a aplicação. Na individual, o mentor pergunta no encontro seguinte o que foi feito com a decisão da semana anterior, e não há onde se esconder. No grupo, essa cobrança costuma ser mais leve e mais coletiva. Para alguns empresários, isso é alívio; para outros, é o motivo de nada mudar.
A mentoria em grupo tem vantagens reais, e seria desonesto não dizer:
Ela costuma funcionar melhor para quem está nos primeiros anos da empresa, para quem precisa aprender o básico de gestão, marketing ou vendas, e para quem quer sair do isolamento de decidir tudo sozinho.
Tem assunto que não cabe em grupo. Margem, dívida, conflito com sócio, demissão de um gerente antigo, sucessão, mudança de preço para o maior cliente. Nenhum empresário fala disso com franqueza na frente de dez desconhecidos — e, sem franqueza, a mentoria vira conversa genérica.
A individual também faz sentido quando a empresa já passou da fase do básico. O dono que fatura bem, tem time, tem processo, mas está travado numa decisão estratégica, não precisa de uma aula de funil de vendas. Precisa de alguém que olhe os números dele, faça as perguntas difíceis e ajude a escolher entre caminhos concretos.
E existe a questão da velocidade. Em grupo, o ritmo é do grupo. Na individual, o ritmo é o do seu negócio: se a crise chegou nesta semana, o encontro desta semana é sobre ela.
Por fim, a individual serve muito ao gestor que carrega tudo sozinho. Quem é dono, vendedor, gerente e bombeiro ao mesmo tempo raramente tem com quem pensar em voz alta sem filtro. Um interlocutor que conhece a empresa por dentro, sem interesse em agradar e sem medo de discordar, costuma ser o que mais falta nessa posição — e é difícil encontrar isso numa sala cheia.
Os valores variam muito de mentor para mentor, de formato para formato e de duração para duração — por isso desconfie de quem publica tabela sem conhecer o seu caso. O que dá para fazer é comparar do jeito certo.
Algumas perguntas que ajudam:
Escrevi sobre retorno em mais detalhe no artigo sobre se mentoria empresarial vale a pena. A lógica é a mesma: o investimento se paga pela qualidade das decisões, não pelo número de encontros.
Eu vejo esse percurso com frequência. O empresário entra num grupo, aprende a olhar números que nunca tinha olhado, arruma a casa. Depois de um tempo, percebe que as perguntas dele ficaram específicas demais — e que passa os encontros esperando a vez de falar de um problema que só ele tem. É o sinal de que o formato ficou pequeno.
O caminho contrário também acontece: alguém faz uma rodada de mentoria individual para destravar uma decisão grande e depois entra num grupo para manter o ritmo e a rede de contatos.
O importante é não confundir formato com estágio. Não existe regra de que "primeiro é grupo, depois é individual". Existe o problema que você tem agora, e o formato que resolve esse problema.
Parece simples demais, e é de propósito. Veja a diferença:
Antes de fechar com qualquer mentor, em qualquer formato, peça uma conversa inicial. Veja se ele faz perguntas sobre o seu negócio ou se já chega com a resposta pronta. E confira os critérios do artigo sobre como escolher um mentor de negócios — eles valem para os dois formatos.
Na minha mentoria, o formato é individual porque o trabalho parte do diagnóstico do seu negócio e segue com decisões semanais sobre ele. Se esse é o momento que você está vivendo, vale uma conversa.
Pode funcionar, principalmente para troca entre pares e rede de contatos. Mas, quando o desafio envolve números sensíveis ou decisões específicas do negócio, o formato em grupo tende a ficar genérico. Nesse estágio, a individual costuma render mais.
No curso, o conteúdo é o mesmo para todos e normalmente não há acompanhamento. Na mentoria em grupo, há encontros ao vivo, espaço para casos dos participantes e algum acompanhamento da aplicação. Se não há interação nem acompanhamento, é curso, mesmo que tenha outro nome.
Não há número mágico, mas quanto maior o grupo, menor o tempo para o seu caso. Pergunte ao mentor quantos participantes haverá e como o tempo de cada encontro é dividido antes de decidir.
Por participante, costuma ser, porque o tempo do mentor é todo seu. Mas a comparação certa é o retorno: se uma decisão bem tomada vale mais do que a diferença de preço, o formato mais caro pode ser o mais barato no fim.
Se você tem clareza do problema que quer resolver, está disposto a abrir os números do negócio e vai aplicar as decisões entre os encontros, está pronto. O diagnóstico gratuito do site ajuda a identificar o problema principal antes da primeira conversa.

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