Contratar um gerente ou uma consultoria? A conta que quase ninguém faz

Consultoria 7 min de leitura · 26 de setembro de 2026

“Charles, acho que eu preciso contratar um gerente comercial.” Essa frase abre umas dez conversas por ano comigo. E quase sempre a minha primeira pergunta desmonta o plano: gerente para fazer o que, exatamente?

Se a resposta vem pronta e específica, ótimo — a vaga é legítima e eu ajudo a desenhar o perfil. Se a resposta é “para organizar isso aqui”, temos um problema. Ninguém organiza uma empresa que não decidiu para onde vai. Contratar gestor nesse estado é comprar braço para carregar um plano que não existe.

O que você está tentando resolver: falta de braço ou falta de direção?

Falta de braço é quando você sabe o que fazer e não tem gente para executar — isso é contratação. Falta de direção é quando ninguém sabe qual produto dá dinheiro nem por que a meta não é batida — aí contratar gerente costuma piorar.

Essa é a bifurcação, e ela resolve a maior parte da dúvida.

Falta de braço parece com isso: você sabe o que precisa ser feito, sabe como se faz, tem os números na mão, e simplesmente não tem gente suficiente para executar na velocidade necessária. O trabalho é contínuo, diário, e não acaba. Isso é contratação. Consultoria não resolve falta de braço.

Falta de direção parece com isso: a empresa fatura, mas você não sabe qual produto dá dinheiro. A meta não é batida e ninguém sabe dizer por quê. Tem três prioridades e todas são a mais importante. As decisões voltam todas para a sua mesa. Aqui, contratar gerente costuma piorar — você acaba com alguém caro esperando que você diga o que fazer, e agora são dois travados em vez de um.

Um diagnóstico honesto de qual dos dois é o seu caso vale mais que qualquer comparação de preço.

Quanto custa de verdade cada um dos dois?

Gerente é custo fixo recorrente com passivo: encargos, tempo de recrutamento, meses até produzir e risco de erro na escolha. Consultoria é investimento delimitado sem passivo, mas compra um período, não um cargo.

É aqui que a conta engana. O empresário compara o salário do gerente com o valor do projeto de consultoria, e essa comparação está errada nas duas pontas.

Na contratação, o salário é a menor parte. Entram encargos, férias, 13º, FGTS — na conta cheia, o custo anual costuma ficar bem acima de doze salários. Somam-se ainda os custos que ninguém orça: o tempo de recrutamento, três a seis meses até a pessoa produzir de verdade, o risco de errar a contratação (e a chance de errar é alta quando o próprio contratante não sabe definir o que quer) e o custo de desligar se errar. É uma decisão de longo prazo, com passivo.

Na consultoria, você compra escopo e prazo definidos, sem passivo — mas compra também um período, não um cargo. Quando o projeto acaba, acaba. Se ninguém dentro da empresa assumiu a rotina, o efeito se dissolve.

Resumindo o que importa: gerente é custo fixo recorrente com passivo; consultoria é investimento delimitado sem passivo. São instrumentos diferentes. A pergunta “qual é mais barato” é mal formulada.

Em quanto tempo cada opção começa a devolver?

Gerente leva de três a seis meses para entender o negócio, e o retorno é lento mas permanente. Consultoria entrega clareza nas primeiras semanas, e o efeito se apaga se não virar rotina.

Ritmos diferentes, e isso costuma decidir a escolha.

Se a sua dor é urgente e de clareza, o relógio da consultoria é o que serve. Se a sua dor é estrutural e de execução diária, nenhuma consultoria substitui alguém acordando todo dia responsável por aquilo.

Quando contratar gerente é a resposta certa?

Quando a função tem rotina diária definida, você consegue escrever em uma página o que a pessoa entrega, existem indicadores para ela gerenciar e o faturamento atual sustenta o custo cheio.

Quando estes quatro itens são verdade ao mesmo tempo:

Se os quatro batem, abra a vaga e não perca tempo com consultoria antes.

Quando a consultoria resolve e o gerente não resolveria?

Quando o problema é de decisão, não de execução: não saber qual linha dá lucro, margem caindo com faturamento subindo, meta não batida sem explicação em números, ou perfil da vaga indefinido.

Quando o problema é de decisão, não de execução. Casos típicos, e eu vejo todos com frequência:

E tem o contrário, que eu também preciso dizer: não contrate consultoria se o caixa não cobre o essencial, se não existe nenhum número do negócio para analisar, se a intenção é terceirizar uma decisão difícil que é sua, ou se não há disposição real de mudar rotina. Nesses quatro casos você vai pagar por um relatório e seguir igual.

Dá para fazer os dois na ordem certa?

Dá, e é o que eu recomendo: primeiro a clareza, depois o braço. Sessenta a noventa dias definem prioridade, indicadores, perfil e meta — e o gerente que chega depois encontra terreno organizado.

Dá, e é o que eu recomendo na maioria dos casos: primeiro a clareza, depois o braço.

Sessenta a noventa dias de trabalho estruturado resolvem o que precisa ser resolvido antes da vaga existir: qual é a prioridade, quais indicadores essa pessoa vai gerenciar, qual perfil realmente serve, quanto a função pode custar e quais metas do primeiro ano são realistas. Depois você contrata — com escopo claro, indicador definido e muito menos chance de errar.

Essa ordem tem dois benefícios que se somam. Você economiza o custo de uma contratação errada, que é alto. E o gerente que chega encontra terreno organizado, o que encurta o tempo de adaptação de meses para semanas.

A inversão é o que acontece na prática, e é o que dá errado: contrata-se primeiro, esperando que a pessoa traga a direção. Direção é responsabilidade do dono. Sempre foi.

Não sabe em qual dos dois lados você está? O diagnóstico gratuito resolve essa pergunta em uma conversa. Se a conclusão for clareza antes de contratar, é isso que a consultoria faz; se for você que precisa sair do centro das decisões, a mentoria é o caminho mais curto.

Perguntas frequentes

É melhor contratar um gerente ou uma consultoria?

Depende do que falta. Se falta braço — você sabe o que fazer, tem os números e não tem gente para executar a rotina diária — a resposta é contratar. Se falta direção — não se sabe qual produto dá lucro nem por que a meta não é batida — consultoria resolve mais rápido e mais barato, e evita contratar o perfil errado.

Consultoria sai mais barata que contratar um gestor?

São instrumentos diferentes, e comparar salário com valor de projeto leva a conclusão errada. Gerente é custo fixo recorrente com passivo: encargos, férias, 13º, tempo de recrutamento, meses até produzir e custo de desligamento. Consultoria é investimento delimitado, sem passivo, mas que entrega um período de trabalho e não um cargo permanente.

Quando NÃO vale a pena contratar consultoria?

Em quatro situações: quando o caixa não cobre as despesas essenciais, quando não existe nenhum número do negócio para analisar, quando a intenção é terceirizar uma decisão difícil que é do dono, e quando não há disposição real de mudar rotinas. Nesses casos o resultado é um relatório e nenhuma mudança.

Em quanto tempo cada opção dá resultado?

Um gerente leva de três a seis meses para entender o negócio e mais um tempo para ganhar autoridade com o time; o retorno é lento, porém permanente. Consultoria entrega clareza nas primeiras semanas — margem por produto, vazamento do funil, cliente que dá prejuízo — mas o efeito se dissolve se ninguém internalizar a rotina.

Posso fazer consultoria antes de contratar o gerente?

É a ordem que eu recomendo na maioria dos casos: primeiro a clareza, depois o braço. Sessenta a noventa dias definem prioridade, indicadores, perfil da vaga, custo suportável e metas realistas do primeiro ano. Assim você reduz a chance de errar a contratação e encurta a adaptação de quem chega.

Charles G. Martins
Charles G. Martins30 anos em estratégia, marketing e vendas · 2× Personalidade de Marketing Nacional · Prêmio ADVB/SC · autor de Descomplique!
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