A história costuma ter três capítulos. No primeiro, o dono da empresa conclui que precisa "fazer marketing direito" e contrata uma agência. No segundo, chegam os relatórios: alcance, impressões, curtidas, cliques, tudo subindo. No terceiro, seis meses depois, ele olha o faturamento, não vê diferença e encerra o contrato convencido de que "agência não funciona". Aí contrata outra, e a história recomeça.
Na maioria das vezes, a agência não era ruim. O que faltou foi alguém do lado da empresa dizendo o que ela precisava entregar. Agência é ótima para executar. Ela não pode decidir por você para quem vender, o que oferecer e quanto um cliente novo pode custar.
Uma transparência antes de continuar: eu não sou agência e não vendo execução de mídia. Trabalho do lado da empresa, na parte da estratégia. Por isso mesmo, já sentei muitas vezes entre o dono e a agência, e é dessa posição que escrevo.
Essa divisão parece óbvia, mas é onde quase toda relação com agência se perde. O dono contrata esperando que a agência "cuide do marketing", e a agência, sem direção, faz o que sabe fazer: posts, anúncios, um site novo. Tudo bem executado e sem rumo.
Separe com clareza:
Se você não tem essas respostas, o primeiro investimento não é a agência. É um plano de marketing de uma página. Com ele na mão, qualquer agência trabalha melhor, e você consegue comparar as propostas.
Antes da primeira reunião, escreva em uma folha:
Com essa folha, o pedido de orçamento muda de natureza. Em vez de "quanto vocês cobram para cuidar do nosso marketing?", você pergunta "como vocês chegariam a esse resultado, com essa verba, para esse cliente?". As respostas passam a ser comparáveis.
Portfólio bonito mostra que a agência sabe criar. Não mostra se ela sabe gerar venda para uma empresa como a sua. Na conversa inicial, observe:
E leia o contrato com atenção a dois pontos: prazo mínimo de permanência e propriedade das contas. As contas de anúncio, o domínio, o site e os perfis precisam estar em nome da empresa, não da agência.
Não existe tabela única, e desconfie de quem diz que existe. O que dá para fazer é comparar do jeito certo. Coloque as propostas lado a lado e confira:
Depois faça a conta que decide: quanto você pode pagar para trazer um cliente, considerando o que ele deixa de margem ao longo do tempo. Se trazer um cliente custar mais do que ele deixa, nenhuma agência resolve; o problema está na oferta, no preço ou no comercial. Sobre essa conta, vale ler por que invisto em marketing e não tenho retorno.
Relatório de agência costuma vir cheio de métricas de alcance. Elas servem para a agência ajustar o trabalho dela. Para você, interessam outros números:
Repare que dois desses números dependem do seu comercial, não da agência. Por isso a reunião mensal precisa ter os dois lados na mesa. Se a agência gera contato e o vendedor demora um dia para responder, o problema não está no anúncio.
Sobre prazo: anúncio pago mostra sinal em semanas; conteúdo e busca orgânica levam meses. Combine no início o que se espera ver em 30, 90 e 180 dias. Assim, a decisão de manter ou trocar deixa de ser uma impressão.
Antes de demitir a terceira agência, faça três perguntas honestas:
É nesse ponto que a consultoria de marketing entra. Meu trabalho não substitui a agência: organiza o que vem antes dela. Defino com o dono o objetivo, o cliente, a oferta e a conta do custo por cliente, ajudo a escolher e a cobrar a agência certa e coloco marketing e comercial olhando para os mesmos números. Com isso pronto, a agência para de adivinhar e passa a executar.
Vale quando a empresa já sabe que resultado quer, para qual cliente e com qual verba, e tem alguém para acompanhar o trabalho. Sem essas definições, o risco é pagar por atividade sem impacto em vendas. Nesse caso, comece pelo plano e depois contrate a execução.
A agência executa: campanhas, conteúdo, criação e mídia. A consultoria de marketing trabalha a estratégia: objetivo, cliente-alvo, oferta, preço e integração com o comercial. Muitas empresas precisam das duas, em sequência: primeiro a direção, depois a execução.
Depende do canal. Anúncios pagos costumam dar sinal em semanas; conteúdo e busca orgânica levam meses. Combine no contrato o que se espera em 30, 90 e 180 dias e acompanhe os números todo mês.
Depende do volume e da constância do trabalho. Equipe interna conhece melhor o negócio e responde rápido; agência traz especialistas variados sem custo fixo de contratação. Muitas empresas combinam uma pessoa interna, que coordena, com uma agência, que executa.
Olhe além das métricas de alcance: quantas oportunidades chegaram ao comercial, quantas viraram venda e quanto custou cada cliente novo, somando honorário e mídia. Se esses números não aparecem no relatório, peça que apareçam.

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